A cerimônia de premiação dos Melhores Hospitais Públicos do Brasil 2026, realizada nesta sexta-feira (29), no Auditório Carlyle Guerra, na sede da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS/OMS), em Brasília, foi marcada não apenas pelo reconhecimento das instituições de excelência do Sistema Único de Saúde (SUS), mas também pela divulgação de indicadores inéditos sobre governança, transparência e integridade hospitalar.
Promovida pelo Instituto Brasileiro das Organizações Sociais de Saúde (Ibross), em parceria com a OPAS/OMS, o Instituto Ética Saúde (IES), o Conselho Nacional dos Secretários de Saúde (Conass) e o Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems), a premiação avaliou mais de 5 mil hospitais vinculados ao SUS e destacou os dez melhores do país com base em critérios de qualidade assistencial, eficiência operacional, experiência do paciente e governança institucional.
Um dos diferenciais da edição deste ano foi à inclusão de indicadores de compliance, integridade e transparência, desenvolvidos com participação do Instituto Ética Saúde (IES). A análise foi realizada com base em respostas de 85 hospitais participantes da etapa final da premiação.
Os resultados apontam elevado grau de maturidade institucional entre os hospitais avaliados. Segundo o levantamento, 100% das instituições declararam cumprir as normas legais de transparência; 98% possuem canais de denúncias estruturados e controles internos para prevenção de irregularidades; 94% contam com Comitês de Ética formalmente instituídos; e 89% possuem programas de compliance implementados.
Nesse contexto, o diretor executivo do Instituto Ética Saúde (IES), Felipe Venturini, destacou que os resultados evidenciam tanto o avanço da governança quanto a necessidade de consolidação permanente dessas práticas no setor público de saúde. “Quando observamos que 100% dos hospitais respondentes declararam cumprir requisitos de transparência, 98% possuem canais de denúncia e controles internos e 89% já contam com estruturas de compliance, percebemos que existe um processo consistente de fortalecimento da governança na saúde pública. Esses mecanismos geram confiança, segurança jurídica e contribuem diretamente para a qualidade da assistência prestada ao paciente”, afirmou.
Segundo ele, os dados também ampliam a responsabilidade das instituições avaliadas. “Quando se identifica 100% de transparência em 85 instituições avaliadas, essas organizações passam a servir de referência. Isso também as coloca no foco de acompanhamento e monitoramento contínuo por parte do IES e do Ibross, em articulação com os órgãos de controle e fiscalização, como a CGU, o TCU e o Ministério Público, garantindo a confiabilidade dos resultados e reforçando que essas práticas devem servir de exemplo para todo o sistema”, completou.
A leitura sobre integridade e governança também foi reforçada ao longo da cerimônia pelo presidente do Instituto Ética Saúde (IES), Sérgio Rocha, que destacou o papel da ética como base das decisões na gestão hospitalar. “Trabalhar na área da saúde já é extremamente complexo. Quando falamos de hospitais que atendem exclusivamente pelo SUS, os desafios são ainda maiores. Por isso, a ética precisa estar presente em todas as decisões. Se pensarmos em fazer as coisas certas e colocarmos o interesse coletivo acima dos interesses individuais, teremos melhores resultados e mais recursos disponíveis para a assistência”, afirmou.
Sérgio também ressaltou a centralidade do paciente nas decisões institucionais. “Não podemos esquecer em nenhum momento que o nosso principal motivo sempre será o paciente. Ele deve estar à frente de tudo e de todos. As decisões precisam ser tomadas pensando no que é melhor para quem precisa do atendimento”, disse.
Para o diretor executivo do IES, esses princípios se conectam diretamente com a integridade como instrumento de gestão. “A transparência, os controles internos e os programas de integridade não são burocracia. Eles fortalecem a gestão, reduzem riscos e ajudam a garantir que os recursos públicos sejam aplicados de forma eficiente em benefício do paciente”, destacou Venturini.
Na mesma linha, o idealizador da premiação e coordenador da comissão organizadora, o médico sanitarista Renilson Rehem, afirmou que a iniciativa busca dar visibilidade às experiências bem-sucedidas no SUS e reforçar a disseminação de boas práticas. “Hoje é uma festa do SUS. Estamos reconhecendo hospitais que conseguem oferecer assistência de excelência à população, independentemente do porte, da localização ou do modelo de gestão. O objetivo é dar visibilidade às boas práticas e mostrar que existem experiências de grande qualidade na rede pública brasileira”, declarou.
Rehem destacou ainda que a governança passou a ocupar papel central na avaliação dos hospitais. “A excelência hospitalar não se resume à produção assistencial. Ela envolve eficiência, qualidade, experiência do usuário, transparência e mecanismos de integridade. Esses elementos ajudam a construir instituições mais sólidas e mais preparadas para responder às necessidades da população.”
Na abertura do evento, o presidente do Ibross, Nacime Mansur, afirmou que a premiação também reconhece os esforços de gestão realizados diariamente nos hospitais públicos brasileiros. “Mais do que celebrar os hospitais mais bem classificados, estamos celebrando a gestão pública eficiente. A busca pela produtividade, pela qualidade e pela eficiência fortalece o SUS e cria melhores condições para a prestação dos serviços de saúde à população”, afirmou.
Segundo Mansur, iniciativas que valorizam transparência, governança e responsabilidade institucional contribuem para elevar o padrão da administração hospitalar no país. “É fundamental demonstrar à sociedade que existem instituições comprometidas com a eficiência, com a integridade e com a correta aplicação dos recursos públicos. Esse é um caminho sem volta para o fortalecimento do sistema de saúde brasileiro”, concluiu.
Indicadores de integridade dos hospitais avaliados
A pesquisa de governança e compliance revelaram os seguintes resultados entre os 85 hospitais participantes da etapa final da premiação:
Para os organizadores, os dados reforçam que a excelência na saúde pública vai além da assistência médica e envolve também governança, integridade, transparência e escuta permanente dos usuários do SUS.