O Instituto Ética Saúde (IES) manifesta seu posicionamento diante das informações divulgadas no âmbito das Operações Makot Mitzrayim e Rio Vermelho, conduzidas pela Polícia Federal (PF) em conjunto com a Controladoria-Geral da União (CGU), que investigam possíveis irregularidades na gestão de recursos públicos destinados à saúde, com foco no estado de Goiás e desdobramentos em unidades da federação como Tocantins, Maranhão, Distrito Federal e São Paulo. As apurações envolvem contratações realizadas, em grande parte, no contexto da pandemia de Covid-19, especialmente relacionadas à gestão de unidades hospitalares e hospitais de campanha.
De acordo com as informações divulgadas pelas autoridades, as investigações se desdobram em dois eixos complementares. No âmbito da Operação Makot Mitzrayim, foram identificados indícios de utilização de estruturas contratuais complexas, incluindo práticas conhecidas como “quarteirização” e “quinteirização”, com possível superfaturamento de serviços e consequente desvio de recursos públicos. Já na Operação Rio Vermelho, as apurações concentram-se na gestão de recursos destinados ao enfrentamento da pandemia de Covid-19, especialmente em hospital de campanha, com indícios de irregularidades na seleção de prestadores, simulação de concorrência, direcionamento de contratações e obtenção de lucros indevidos a partir de recursos públicos.
Sob a perspectiva institucional, o caso evidencia como fragilidades na governança de contratos de gestão podem ser exploradas para distorcer a finalidade pública dos recursos destinados à saúde, especialmente em contextos emergenciais. A utilização de cadeias ampliadas de subcontratação, quando não devidamente controladas e auditadas, compromete a transparência, a rastreabilidade dos recursos e a efetividade dos mecanismos de fiscalização, criando ambientes propícios à ocorrência de práticas incompatíveis com os princípios da administração pública.
Nesse contexto, o IES destaca que práticas antiéticas na saúde pública não se restringem a desvios diretos de recursos, abrangendo também condutas como direcionamento de contratações, simulação de competição, ocultação de fluxos financeiros e maximização indevida de margens contratuais, com impactos relevantes sobre a integridade administrativa, a eficiência do gasto público e a confiança institucional. O episódio reforça, portanto, a necessidade de fortalecer mecanismos de controle sobre contratos de gestão, ampliar a transparência nas cadeias de subcontratação e garantir a rastreabilidade integral dos recursos públicos, por meio de medidas como auditorias independentes, segregação de funções, monitoramento contínuo da execução contratual e verificação de vínculos entre partes contratadas.
Ao mesmo tempo, é importante registrar que os fatos se encontram em fase de investigação, sendo assegurados aos envolvidos o contraditório e a ampla defesa, conforme previsto no ordenamento jurídico brasileiro. As informações públicas indicam, ainda, que há colaboração com as autoridades e manifestações quanto à regularidade das prestações de contas perante órgãos de controle, o que reforça a necessidade de que a análise do caso ocorra de forma técnica, individualizada e baseada em evidências.
Reafirmamos nosso compromisso com a promoção da ética, da transparência e da boa governança no setor da saúde, entendendo que a correta aplicação dos recursos públicos, especialmente em cenários de emergência sanitária, é condição indispensável para a sustentabilidade do sistema e para a preservação da confiança da sociedade nas instituições responsáveis pela gestão da saúde.
De forma complementar, os desdobramentos poderão ser acompanhados no Radar da Ética[1], iniciativa conduzida pelo Instituto Ética Saúde que monitora e analisa casos de grande impacto para a integridade do setor.
Síntese das Informações Apuradas
As Operações Makot Mitzrayim e Rio Vermelho, deflagradas em 15 de abril de 2026 pela Polícia Federal (PF)[2], em conjunto com a Controladoria-Geral da União (CGU) e com apoio de outros órgãos de controle, investigam possíveis fraudes em contratos públicos de saúde relacionados à gestão de unidades hospitalares e hospitais de campanha durante a pandemia de Covid-19.
Ao todo, foram cumpridos aproximadamente 50 mandados judiciais, incluindo buscas e apreensões e prisões preventivas, nos estados de Goiás, Tocantins, Maranhão, São Paulo e no Distrito Federal, com destaque para a cidade de Goiânia, onde se concentram parte relevante das apurações.
As investigações apontam indícios de utilização de estruturas contratuais com múltiplos níveis de subcontratação (“quarteirização” e “quinteirização”), associadas a possíveis superfaturamentos, direcionamento de contratações, simulação de concorrência e repasses financeiros suspeitos[3], além de indícios de vínculos entre dirigentes e empresas contratadas e práticas voltadas à maximização de margens contratuais.
Os fatos apurados podem, em tese, configurar crimes como corrupção ativa e passiva, peculato-desvio, lavagem de capitais e irregularidades licitatórias, conforme indicado pelas autoridades responsáveis pela investigação.
Filipe Venturini Signorelli
Diretor-executivo do Instituto Ética Saúde
Julio Zanelli
Assessor de Ética e Integridade / Compliance Officer do Instituto Ética Saúde
[1] Portal Instituto Ética Saúde – Radar da Ética
[2] Fonte – Portal Policia Federal - PF e CGU deflagram operações contra fraudes em contratos públicos
[3] Fonte – Portal G1 Goías - Operações investigam supostas fraudes milionárias em contratos públicos