O 1º Seminário Ética na Saúde: Governança e Compliance – Inteligência em Integridade reuniu autoridades públicas, especialistas, representantes do setor jurídico, acadêmico e lideranças empresariais para discutir mecanismos de integridade, transparência e autorregulação no setor da saúde. Realizado pelo Instituto Ética Saúde (IES), em parceria com a Comissão de Compliance da OAB-SP, o encontro marcou o lançamento do EESEE — Ecossistema Ética Saúde de Ética Empresarial, plataforma estruturada para monitoramento, prevenção e enfrentamento de práticas antiéticas nas relações público-privadas da saúde.
Na abertura do evento, o presidente do Conselho de Administração do Instituto Ética Saúde, Sérgio Rocha, destacou que o fortalecimento da ética no setor depende da construção coletiva entre instituições públicas, privadas e sociedade civil. “O que queremos é que as coisas aconteçam corretamente. É isso que nos move”, afirmou. Em outro momento, reforçou a necessidade de transformar o debate ético em ações permanentes dentro das instituições. “Quando existe união e diálogo, conseguimos construir caminhos mais sólidos para a integridade no setor da saúde. Defender a ética, a integridade e a transparência plena precisa fazer parte do nosso cotidiano”, declarou.
A vice-presidente da OAB-SP, Daniela Magalhães, defendeu a construção de um modelo equilibrado entre regulação estatal e autorregulação privada. Segundo ela, o debate sobre integridade precisa superar polarizações ideológicas. “Precisamos de uma corregulação, de uma autorregulação responsiva, voltada para resultados concretos”, afirmou.
Já a presidente da Comissão de Compliance da OAB-SP, Flávia Lepique, ressaltou que programas de compliance precisam ultrapassar o caráter formal e produzir mudanças efetivas nas instituições. “Uma autorregulação não pode existir apenas para demonstrar que algo está sendo feito. Ela precisa gerar eficácia e transformação concreta”, disse.
Outro destaque da abertura foi a participação de Edson Vismona, presidente do Conselho de Ética do IES, que relembrou a origem do instituto e o movimento de empresários que decidiram criar mecanismos próprios de integridade diante de denúncias e escândalos envolvendo o setor da saúde suplementar e de dispositivos médicos. “Empresários decidiram assumir uma postura proativa. Em vez de apenas reagir às crises, optaram por construir uma cultura ética dentro das próprias empresas”, afirmou.
O diretor-executivo do Instituto Ética Saúde, Filipe Venturini, apresentou os objetivos do seminário e detalhou o funcionamento do ecossistema lançado durante o encontro. Segundo ele, o modelo desenvolvido pelo IES reúne tecnologia, inteligência em integridade, conhecimento acadêmico e monitoramento contínuo para identificar riscos e propor soluções concretas para o setor da saúde.
Venturini explicou que o instituto atua na construção de mecanismos de autorregulação privada voltados às relações econômico-financeiras da cadeia da saúde, por meio de instruções normativas, consensos técnicos e diretrizes de integridade adotadas por empresas e instituições. “É quase inédito no mundo ver empresas se autorregulando para garantir que relações econômico-financeiras sejam honestas dentro da cadeia da saúde”, declarou.
Durante sua apresentação, o diretor-executivo também destacou que a proposta do seminário foi ampliar o diálogo entre todos os atores envolvidos na cadeia da saúde — da indústria ao paciente — promovendo relações mais transparentes e responsáveis. “A essência disso tudo é o controle social. Somos nós, sociedade civil organizada, participando do controle da coisa pública e também da coisa privada”, afirmou.