I Seminário Ética Saúde: Governança e Compliance - Inteligência em Integridade


Data de Publicação: 12/05/2026
I Seminário Ética Saúde: Governança e Compliance - Inteligência em Integridade

O 1º Seminário Ética na Saúde: Governança e Compliance – Inteligência em Integridade reuniu representantes do poder público, órgãos de controle, especialistas em governança, profissionais da saúde, entidades da sociedade civil e lideranças empresariais para discutir os desafios da ética, da transparência e da integridade no setor da saúde brasileira. Realizado na sede da OAB-SP, o encontro foi promovido pelo Instituto Ética Saúde (IES), em parceria com a Comissão de Compliance da OAB-SP, e marcou o lançamento oficial do Ecossistema Ética Saúde de Ética Empresarial, iniciativa voltada à identificação, monitoramento e construção de soluções para práticas antiéticas no setor.

Na abertura do evento, o presidente do Conselho de Administração do Instituto Ética Saúde, Sérgio Rocha, destacou que a ética precisa sair do campo do discurso para se transformar em prática concreta dentro das instituições. “O que queremos é que as coisas aconteçam corretamente. É isso que nos move”, afirmou. Em outro momento, reforçou que o fortalecimento da integridade depende da união entre setor público, iniciativa privada, órgãos de controle e sociedade civil. “Não temos o direito de nos cansar dessa luta. Defender a ética, a integridade e a transparência plena precisa fazer parte do nosso cotidiano”, declarou.

A cerimônia também contou com a participação da vice-presidente da OAB-SP, Daniela Magalhães, da presidente da Comissão de Compliance da entidade, Flávia Lepique, do presidente do Conselho de Ética do IES, Edson Vismona, e do diretor-executivo do instituto, Filipe Venturini. Durante as falas, os participantes defenderam o fortalecimento da autorregulação privada, da transparência e da governança como instrumentos complementares à atuação estatal no enfrentamento das práticas antiéticas.

Ao longo do dia, o seminário reuniu painéis que abordaram desde regulação, compliance e governança até o impacto das falhas estruturais da saúde na vida dos pacientes. No primeiro painel, mediado por Davi Uemoto, representantes da área jurídica, compliance e governança defenderam que a autorregulação privada pode atuar como mecanismo preventivo de controle e fortalecimento das boas práticas institucionais. Entre os participantes estiveram Roberta Codignoto, Juliana Hasse, Flávia Lepique e Edson Vismona, que destacaram a necessidade de ampliar a integração entre setor público, privado e sociedade civil.

O segundo painel reuniu Giovani Saavedra, Reynaldo Goto, Vivian Sueiro e Wilson Shcolnik em um debate sobre integridade, identificação de riscos e maturidade da governança na saúde. Os especialistas defenderam o fortalecimento da cultura ética dentro das organizações, alertaram para riscos sistêmicos existentes na cadeia da saúde e destacaram os desafios provocados pela transformação digital, pela proteção de dados e pela crescente complexidade das relações institucionais do setor.

Um dos momentos mais impactantes do seminário ocorreu no terceiro painel, que discutiu ética, integridade e o direito de acesso e desfecho completo aos tratamentos médicos-hospitalares. Mediado por Julino Rodrigues, o debate reuniu representantes de associações de pacientes, pesquisadores e especialistas ligados às doenças raras e à saúde pública. Participaram Andréia Bessa, Sylvia Thomas e Mariana Moyses Oliveira, que trouxeram relatos sobre as dificuldades enfrentadas por pacientes e familiares para conseguir acesso a tratamentos, medicamentos e acompanhamento especializado. O painel destacou a necessidade de colocar o paciente no centro das decisões do sistema de saúde, ampliando mecanismos de participação social, transparência e acolhimento.

Na retomada da programação da tarde, o seminário promoveu um momento de homenagem às pessoas que participaram da criação e da consolidação do Instituto Ética Saúde ao longo dos anos. Os organizadores destacaram o papel de empresários, profissionais e colaboradores que ajudaram a estruturar iniciativas voltadas à ética, integridade e autorregulação no setor da saúde brasileira.

Em seguida, o Instituto Ética Saúde realizou o lançamento oficial do Ecossistema Ética Saúde de Ética Empresarial, considerado um dos principais marcos do encontro. A iniciativa reúne ferramentas como o Radar Ética Saúde, a plataforma ITES – Inteligência e Transparência da Ética na Saúde, o programa EME – Educação Moral e Ética e o Núcleo Técnico de Ética e Integridade.

Durante a apresentação, Filipe Venturini explicou que o ecossistema é resultado de mais de 11 anos de monitoramento de práticas antiéticas relacionadas à corrupção, fraudes e desvios de finalidade no setor da saúde. Segundo ele, o objetivo é consolidar mecanismos permanentes de identificação de riscos, monitoramento contínuo e construção de soluções voltadas à promoção da transparência e do controle social.

Um dos destaques da apresentação foi a plataforma ITES, desenvolvida para monitorar práticas antiéticas utilizando inteligência de dados, informações abertas e cruzamento de bases públicas. O levantamento apresentado pelo instituto apontou mais de 622 mil reclamações contra operadoras de planos de saúde registradas junto à ANS entre janeiro de 2024 e março de 2026. Entre os principais problemas relatados pelos consumidores estão negativas de cobertura, demora na autorização de procedimentos e restrições de acesso a serviços de saúde.

Outro eixo debatido durante a programação foi o projeto EME – Educação Moral e Ética, voltado à inclusão transversal da ética e integridade nos cursos da área da saúde. O painel reuniu Cristiene Castilho, Débora Popov, Etelvino Trindade, o deputado federal Pedro Westphalen e Sérgio Rocha. Os participantes defenderam que a transformação do setor da saúde depende diretamente da formação ética dos futuros profissionais e do fortalecimento da humanização, da responsabilidade institucional e do cuidado centrado no paciente.

O encerramento do seminário foi marcado por um painel dedicado às práticas antiéticas na saúde e seus impactos para a sociedade. Mediado por Filipe Venturini, o debate reuniu Adriana Ventura, Anna Carolina Lemos Rosal, Cristine Ganzenmuller, Silvio Luiz Ferreira da Rocha e Gleice Mara Brandão da Costa. Os participantes discutiram temas como corrupção, judicialização da saúde, fragilidades na fiscalização, riscos em compras públicas, governança institucional e necessidade de integração entre órgãos de controle, universidades e sociedade civil.

O evento foi encerrado com uma mensagem em vídeo do deputado federal Dr. Zacharias Calil, presidente da Frente Parlamentar Mista da Saúde, reforçando a importância da ética, da transparência e do combate à corrupção no setor. O parlamentar também destacou a tramitação do projeto que institui o “Mês da Ética na Saúde”, iniciativa voltada à promoção permanente de ações de conscientização, prevenção e fortalecimento da integridade nas relações entre os setores público e privado.

Ao final do encontro, os organizadores defenderam que o seminário representou um passo importante para consolidar uma agenda permanente de ética, integridade, governança e controle social na saúde brasileira, reunindo diferentes setores em torno da construção de soluções concretas para o fortalecimento institucional do país.

Voltar para o topo