Prestação de serviços: integridade precisa estar presente na assistência e na cultura das organizações


Data de Publicação: 27/08/2026
Prestação de serviços: integridade precisa estar presente na assistência e na cultura das organizações

Terceiro painel do 3º Fórum de Integridade da Saúde reuniu representantes de hospitais, entidades médicas e do setor de dispositivos médicos para discutir conflitos de interesse, relações com a indústria e gestão de riscos

 

Os desafios de integridade também estão presentes no cotidiano de hospitais e serviços de saúde, onde diferentes profissionais, empresas e instituições estabelecem relações que podem envolver riscos, conflitos de interesse e decisões com impacto direto na assistência. Essa foi a perspectiva central do painel “Prestação de Serviços”, terceiro eixo do 3º Fórum de Integridade da Saúde, promovido pelo Instituto Ética Saúde (IES) dentro da programação da Expo Compliance.

A discussão teve mediação de Vivian Sueiro, gerente de Compliance da Anahp, e contou com Carina Miyamoto, gerente de Assuntos Legais e Compliance da ABIMED; Florisval Meinão, secretário-geral da Associação Médica Brasileira; Gustavo Suzin, presidente do SINDHOESG; e Marcelo Dayrell, gerente-executivo de Gestão de Riscos e Integridade da HU Brasil, vinculada ao Ministério da Educação.

O painel levou para o debate diferentes realidades da prestação de serviços e mostrou que a construção de uma cultura de integridade depende da capacidade das organizações de transformar regras e orientações em práticas incorporadas ao cotidiano.

Vivian Sueiro destacou que as relações com a indústria representam um dos fatores de risco para os prestadores de serviços e que a gestão de riscos precisa considerar as diferentes realidades existentes no país.

A maturidade dos sistemas de integridade também varia entre organizações e estados, o que torna importante o compartilhamento de experiências e boas práticas. A discussão mostrou que não existe uma única solução aplicável a todas as instituições: os mecanismos precisam considerar o perfil, a estrutura e os riscos específicos de cada organização.

Dispositivos médicos e transparência

Carina Miyamoto abordou os desafios relacionados ao setor de dispositivos médicos, com destaque para a complexidade da cadeia de distribuidores.

A representante da ABIMED também apresentou iniciativas relacionadas à transparência das relações entre profissionais de saúde e empresas, incluindo a discussão sobre o Sunshine Act e a possibilidade de ampliar mecanismos desse tipo para todo o país.

A questão da transparência foi apresentada como um elemento importante para tornar mais claras as relações entre os diferentes atores e contribuir para a identificação de potenciais conflitos de interesse.

Relação médico-paciente e autonomia profissional

Para Florisval Meinão, a transparência precisa estar presente nas relações entre todos os atores da saúde. O secretário-geral da Associação Médica Brasileira defendeu maior clareza sobre a construção de protocolos, os critérios de remuneração e os indicadores utilizados para avaliar a qualidade dos serviços.

A relação entre médico e paciente, segundo Meinão, deve estar baseada em confiança, autonomia e independência profissional. O risco surge quando interesses econômicos de diferentes atores passam a se sobrepor às necessidades relacionadas à qualidade da assistência.

O representante da Associação Médica Brasileira também chamou atenção para os desafios provocados pelo avanço tecnológico. Com a incorporação de novas tecnologias à medicina, mecanismos de habilitação e certificação podem contribuir para assegurar que essas ferramentas sejam utilizadas por profissionais devidamente preparados.

Integridade como parte da cultura hospitalar

Gustavo Suzin apresentou a realidade dos hospitais privados de Goiás e destacou que o compliance não deve ser tratado apenas como uma questão técnica.

Para ele, a integridade precisa fazer parte da cultura das organizações. Isso significa educar profissionais e equipes para que princípios de conduta sejam incorporados naturalmente às decisões e aos processos cotidianos.

A perspectiva apresentada reforçou que políticas e procedimentos são importantes, mas sua efetividade depende do comportamento das pessoas e do compromisso da liderança das organizações com uma cultura de integridade.

Gestão de riscos nos Hospitais Universitários Federais

Marcelo Dayrell apresentou os desafios relacionados à gestão de riscos nos Hospitais Universitários Federais. A rede reúne hospitais com diferentes perfis, níveis de complexidade e históricos, o que exige modelos de gestão capazes de considerar as particularidades de cada instituição.

Outro ponto destacado foi a necessidade de aproximar a gestão de riscos da realidade da assistência e do ensino. Um dos desafios está em traduzir as orientações dos órgãos de controle para o cotidiano dos serviços de saúde, evitando que mecanismos criados sem considerar a realidade da assistência possam gerar novos riscos.

A discussão reforçou, assim, que os mecanismos de integridade precisam estar conectados à atividade-fim das instituições. No ambiente hospitalar, controle, compliance e gestão de riscos não podem ser estruturas isoladas: precisam dialogar com profissionais, processos assistenciais e decisões que fazem parte da rotina dos serviços.

Integridade como compromisso de toda a cadeia

As diferentes perspectivas apresentadas no painel convergiram para a necessidade de fortalecer uma cultura de integridade que envolva hospitais, profissionais, empresas, entidades e demais atores da cadeia.

Conflitos de interesse, transparência, relações com a indústria, qualificação profissional, gestão de riscos e cultura organizacional foram discutidos como elementos que precisam ser considerados de forma integrada.

Ao aproximar essas diferentes perspectivas, o painel contribuiu para a proposta do 3º Fórum de Integridade da Saúde de identificar riscos e discutir caminhos para aperfeiçoar mecanismos de prevenção, autorregulação e transparência. O objetivo é que os debates não permaneçam restritos ao evento, mas possam contribuir para o mapeamento de aprimoramentos necessários e para a construção de propostas efetivas para o setor.

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