O painel Integridade no Setor da Saúde: Identificação de Riscos, debateu os desafios da integridade e da identificação de riscos no setor, reunindo especialistas das áreas de compliance, governança corporativa, ética e saúde suplementar. Participaram da mesa Giovani Saavedra, coordenador do Núcleo Técnico de Ética e Integridade do Instituto Ética Saúde; Reynaldo Goto, conselheiro do FGV Ethics e integrante do CTAP do Estado de São Paulo; Vivian Sueiro, gerente de Compliance da ANAHP; e Wilson Shcolnik, diretor de Relações Institucionais da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica e Medicina Laboratorial (SBPC/ML).
Ao abrir o debate, Giovani Saavedra destacou que um dos principais desafios do compliance na saúde é compreender os riscos sistêmicos que envolvem toda a cadeia do setor. Segundo ele, não basta criar estruturas formais de integridade sem entender os mecanismos que produzem vulnerabilidades dentro das organizações. O especialista também ressaltou a necessidade de ampliar a produção de dados qualificados sobre governança e integridade no Brasil.
Representando a ANAHP, Vivian Suiero afirmou que os hospitais se tornaram o principal ponto de convergência das relações institucionais da saúde, reunindo operadoras, indústria, fornecedores, médicos e pacientes. “O hospital é o centro de convergência do compliance na saúde”, declarou. Durante sua participação, ela alertou para os riscos sistêmicos presentes nos processos de contratação, fornecimento de materiais e relações econômicas da cadeia da saúde, destacando que falhas de governança impactam diretamente a qualidade assistencial e a segurança do paciente.
Reynaldo Goto levou ao painel uma reflexão sobre cultura ética e governança corporativa, defendendo que programas de compliance só se tornam efetivos quando conseguem promover transformação cultural dentro das instituições. Segundo ele, integridade não pode ser tratada apenas como obrigação regulatória, mas precisa fazer parte da tomada de decisão das lideranças e das relações institucionais.
Já Wilson Shcolnik apresentou a visão das entidades médicas e laboratoriais sobre os desafios da governança diante da transformação digital da saúde. Em sua fala, destacou temas como inovação tecnológica, interoperabilidade de dados, rastreabilidade e o avanço da inteligência artificial na medicina, reforçando a necessidade de fortalecimento dos padrões éticos e técnicos no setor.
Ao longo do painel, os participantes defenderam uma governança mais integrada, preventiva e transparente para a saúde, com maior capacidade de monitoramento dos riscos e fortalecimento da cultura ética nas organizações.