Para entidades médicas, é preciso mudar a cultura da impunidade e da permissividade


Data de Publicação: 05/05/2023
Para entidades médicas, é preciso mudar a cultura da impunidade e da permissividade
O Ética Saúde Summit 2023 debateu os desafios das Sociedades Médicas e operadoras de planos de saúde: sensibilidade, modelos comportamentais e dilemas éticos do profissional de saúde e dos pacientes, no dia 4 de maio, na Escola de Administração de Empresas de São Paulo – FGV EAESP. A moderação foi da professora da FGVSaúde, Ana Maria Malik. 
 
A quantidade de escolas médicas no Brasil e a falta de qualidade do ensino foram o ponto de alerta do presidente da Associação Médica Brasileira, César Eduardo Fernandes. “A quantidade de profissionais formados praticamente dobrou de 2013 para cá. São 41 mil novos médicos por ano. Com isso, estou preocupado que se valorize cada vez menos o trabalho e esse profissional terá dilemas éticos muito importantes na tomada de decisões”. Salientou que o não se pode esquecer que o objetivo final é o paciente. “A não maleficência é o pilar central da ética médica”.
 
O vice-presidente da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (SBPC/ML) acrescentou que a avalanche de médicos malformados também tem como efeito colateral a sobrecarga de pedidos de exames, muitas vezes desnecessários e ineficientes para determinados diagnósticos. “Será que o nosso sistema de saúde sustenta essa grande lista de exames? Precisamos pensar em como usar o recurso da melhor maneira, visto que temos deveres ético para com o paciente, com o médico e com quem financia, que é a operadora”, afirmou Álvaro Pulchinelli. 
 
Para a gerente executiva da Unidas Autogestão em Saúde, Amanda Bassan, é preciso investir também na educação do beneficiário. “Levar conhecimento do que é mutualismo. Ele está inserido naquele contexto”. 
 
O presidente da Associação Brasileira de Medicina Farmacêutica (SBMF) tocou em um outro tema crítico da ética na saúde: pesquisas clínicas, sem o consentimento prévio do paciente. Alertou para a importância de respeitar o trabalho das agências reguladoras. Helio Osmo afirmou que “são necessárias iniciativas, principalmente de educação, para trabalhar a cultura da impunidade e permissividade no setor saúde”. 
 
Na opinião do representante do Comitê de Ética do Hospital Santa Paula e do Colégio Brasileiro de Cirurgia e Traumatologia Buco-Maxilo-Facial (CBCTBMF), Luis Fernando Lobo, “médico, hospital, fornecedor e operadora de saúde precisam sentar-se à mesa para discutir com humildade, respeito e objetivo futuro. Colocarmos pontos de reflexão e maturidade sobre onde vamos chegar, como vamos chegar e o custo disso”, concluiu.
 
Quem não pôde participar do evento, ou quem quiser rever, o vídeo está no canal do IES no Youtube, para acessar, clique aqui.
 

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