Fórum do Instituto Ética Saúde reúne cadeia da saúde em busca de soluções para riscos de integridade


Data de Publicação: 25/08/2026
Fórum do Instituto Ética Saúde reúne cadeia da saúde em busca de soluções para riscos de integridade

Os riscos de integridade na saúde atravessam toda a cadeia e exigem respostas que também envolvam diferentes setores. Essa foi uma das principais conclusões do 3º Fórum de Integridade da Saúde, promovido pelo Instituto Ética Saúde (IES) com o tema “Riscos na saúde: Soluções e Propostas Regulatórias”. O encontro reuniu representantes do poder público, fontes pagadoras, indústria, hospitais, prestadores de serviços e entidades médicas para discutir desafios e propor caminhos para ampliar a prevenção de irregularidades e fortalecer a transparência no setor.

O Fórum foi realizado dentro da programação da Expo Compliance, evento de referência na área de integridade, compliance e governança, ampliando o alcance das discussões promovidas pelo IES e aproximando o debate sobre ética na saúde de profissionais e especialistas de diferentes setores. Presidente da Expo Compliance e coordenador do Núcleo Técnico de Ética e Integridade do IES, o professor Giovani Saavedra destacou a importância de reunir diferentes atores para transformar os estudos e diagnósticos sobre riscos na saúde em discussões capazes de contribuir para soluções concretas para o setor.

Dividido em três painéis, Fontes Pagadoras, Indústrias e Prestação de Serviços, o Fórum abordou temas como gestão de riscos, uso de dados e tecnologia, compliance, conflitos de interesse, transparência nas relações entre empresas e profissionais e instituições de saúde e autorregulação. A participação de representantes de diferentes segmentos permitiu aproximar discussões que, muitas vezes, são conduzidas de forma isolada.

Na abertura, o diretor executivo do IES, Filipe Venturini, destacou a importância de transformar princípios éticos em práticas concretas e fortalecer mecanismos de autorregulação capazes de prevenir condutas inadequadas. O presidente do Instituto, Sérgio Rocha, ressaltou o papel do IES como espaço de diálogo e observação ética da cadeia da saúde, com o propósito de contribuir para a construção de soluções, e não apenas para a identificação de problemas.

No painel sobre Fontes Pagadoras, a discussão se concentrou na necessidade de identificar riscos antes que eles se convertam em fraudes, desperdícios, conflitos de interesse ou outras irregularidades. O painel teve mediação do professor Giovani Saavedra, coordenador do Núcleo Técnico de Ética e Integridade e consultor jurídico do IES. Dárcio Guedes, diretor do Fundo Nacional de Saúde, destacou a dimensão e a complexidade da gestão dos recursos destinados à saúde e apontou o uso de tecnologia, a integração e a interoperabilidade de dados como ferramentas para ampliar a transparência, o monitoramento e a capacidade de prevenção.

Também participaram do debate Rodrigo Fontenelle, Controlador-Geral do Estado de São Paulo; Cássio Ide Alves, da Associação Brasileira de Planos de Saúde (ABRAMGE); e Sabrina Pezzi, da Unimed Porto Alegre. As diferentes perspectivas contribuíram para ampliar a discussão sobre gestão, controle e prevenção de riscos no financiamento e na prestação da assistência à saúde.

A indústria foi o foco do segundo painel, que discutiu como transformar normas de compliance em práticas efetivas de prevenção. O painel teve mediação de Davi Uemoto, gerente executivo da ABRAIDI, e contou com a participação de Bianca Bertolotto, diretora Global de Compliance do Grupo Medartis; Carlos Eduardo Gouveia, presidente da Câmara Brasileira de Diagnóstico Laboratorial (CBDL); Felipe Alves, diretor Jurídico, Compliance e Propriedade Intelectual da Interfarma; e Karina Cattan, diretora de Ética e Compliance da Astellas Farma Brasil. Felipe Alves destacou a importância da autorregulação e da identificação antecipada de riscos. A transparência nas relações econômico-financeiras entre empresas e profissionais e instituições de saúde também esteve em pauta, incluindo a discussão sobre um modelo brasileiro inspirado no Sunshine Act.

O debate abordou ainda o uso de tecnologia e de sistemas de compliance para identificar vulnerabilidades antes que elas se transformem em problemas para as organizações e para o sistema de saúde.

No terceiro painel, dedicado à prestação de serviços, hospitais, profissionais e demais prestadores discutiram desafios relacionados a conflitos de interesse, relações entre médicos e indústria, cultura de integridade e gestão de riscos no ambiente hospitalar. O painel teve mediação de Vivian Sueiro, gerente de Compliance da Anahp, e contou com Carina Miyamoto, gerente de Assuntos Legais e Compliance da ABIMED; Florisval Meinão, secretário-geral da Associação Médica Brasileira; Gustavo Suzin, presidente do SINDHOESG; e Marcelo Dayrell, gerente-executivo de Gestão de Riscos e Integridade da HU Brasil, vinculada ao Ministério da Educação.

Embora cada segmento enfrente desafios específicos, os debates convergiram para a necessidade de uma atuação integrada. Compartilhamento de informações, uso de dados e tecnologia, fortalecimento dos mecanismos de compliance e adoção de padrões de conduta foram apontados como caminhos para ampliar a capacidade de prevenção em toda a cadeia.

O Fórum também reforçou a autorregulação privada como instrumento complementar à regulação estatal e discutiu o potencial de ferramentas de avaliação de compliance, como o QUALIES, para identificar vulnerabilidades e apoiar as organizações na adoção de melhores práticas.

Para o Instituto Ética Saúde, a aproximação entre diferentes segmentos permite avançar do diagnóstico de problemas para a construção conjunta de soluções. A iniciativa também busca conectar os diagnósticos produzidos pelo Núcleo Técnico de Ética e Integridade às necessidades concretas do setor. A partir das discussões realizadas nos três painéis e dos documentos produzidos pelo Instituto, o objetivo é realizar um mapeamento dos pontos que precisam ser alterados ou aprimorados na legislação e nos mecanismos de autorregulação, transformando os debates do Fórum em propostas e medidas efetivas para o setor. A iniciativa contribui para uma cultura de integridade, transparência e prevenção em toda a cadeia da saúde, tendo o paciente como principal beneficiário.


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